Na Livre de Carbono, acompanhamos de perto empresas que migraram para o Mercado Livre de energia (ACL) acreditando que isso “zeraria o Escopo 2”. Em muitos casos, a economia veio, mas a redução de emissões não apareceu nos relatórios como esperado – simplesmente porque o processo não foi estruturado de acordo com o Programa Brasileiro GHG Protocol.
Por isso, preparamos um roteiro prático para transformar a sua conta do Mercado Livre em uma ferramenta consistente de mitigação das emissões de Escopo 2.
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Diagnostique a situação atual da sua empresa
O primeiro passo é ter clareza sobre onde você está. Em nossos projetos, começamos sempre com perguntas como:
- Quais unidades consumidoras estão no Ambiente de Contratação Livre (ACL) e quais ainda estão no mercado cativo (ACR)?
- Quem são os fornecedores/comercializadores de energia?
- Já existe, no papel, alguma vinculação à energia renovável?
Uma forma simples de começar é montar uma planilha com:
- CNPJ / unidade consumidora;
- tipo de contratação (ACR/ACL);
- fornecedor / comercializador;
- fonte de energia declarada;
- volume contratado (MWh) e período.
Esse mapeamento é a base para qualquer estratégia de Escopo 2 market-based.
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Traga o tema “Escopo 2” para a mesa de negociação
Em muitas empresas que atendemos, a área de compras negociava energia exclusivamente com foco no menor custo por MWh. Quando incluímos na conversa a pauta de emissões de GEE, a lógica muda.
Algumas perguntas que recomendamos levar para a negociação:
- A energia contratada será, de fato, de fonte renovável? Qual?
- O fornecedor emite certificados de energia renovável (RECs, I-RECs ou equivalentes)?
- Esses certificados serão emitidos em nome da sua empresa, com indicação clara de volume e período?
- O comercializador está familiarizado com os critérios de qualidade do Escopo 2 do GHG Protocol?
Quando essas condições são discutidas desde o início, o contrato passa a ser não só uma compra de energia, mas também um instrumento de gestão de carbono.
- Garanta instrumentos de comprovação: RECs, I-RECs e documentação
Para usar a abordagem market-based de Escopo 2 com segurança técnica, não basta constar “energia renovável” no contrato. É necessário ter:
- Contratos com cláusulas claras sobre a origem renovável da energia;
- Certificados de energia renovável (RECs / I-RECs) emitidos em nome da sua empresa, indicando:
- usina(s) de origem;
- período de geração;
- volume (MWh) atribuído;
- relatórios ou declarações formais do fornecedor, que possam ser apresentados em auditorias independentes.
Na Livre de Carbono, uma etapa recorrente dos projetos é revisar esses documentos e identificar se eles são suficientes para sustentar o uso de fatores de emissão reduzidos na abordagem market-based.
- Verifique a aderência ao GHG Protocol antes de fechar o inventário
Com os documentos em mãos, é hora de cruzar as informações com as regras do Programa Brasileiro GHG Protocol:
- A geração atribuída à empresa é compatível com o ano-base do inventário de GEE?
- Há garantias de que não existe dupla contagem dos atributos ambientais?
- A energia renovável atribuída faz sentido do ponto de vista geográfico e de sistema elétrico?
- A documentação está organizada de forma que possa ser verificada com facilidade?
Uma vez respondidas essas questões, você poderá:
- calcular o Escopo 2 pela abordagem location-based (fator médio do sistema);
- recalcular o Escopo 2 pela abordagem market-based, aplicando os fatores de emissão associados à energia renovável contratada.
Essa dupla visão é algo que frequentemente recomendamos aos nossos clientes, pois aumenta a transparência do inventário e a qualidade das informações para a alta gestão.
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Alinhe inventário, metas climáticas e comunicação
Depois de estruturar o uso do Mercado Livre na mitigação de Escopo 2, é importante amarrar três frentes:
- Metodologia do inventário de GEE
Deixar claro, em notas metodológicas, como foram aplicadas as abordagens location-based e market-based.
- Metas climáticas e planos de descarbonização
Em empresas com metas mais estruturadas (incluindo ou não SBTi), o uso de energia renovável no ACL costuma ser um dos pilares de redução de emissões de curto e médio prazo.
- Comunicação com o mercado
Ajustar relatórios de sustentabilidade, apresentações para investidores e materiais comerciais para refletir, com equilíbrio, o uso de energia renovável rastreável e a redução de Escopo 2, evitando exageros como “zeramos todas as emissões” sem contexto.
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Onde a Livre de Carbono pode apoiar
Nossa equipe atua justamente na intersecção entre energia, inventário de GEE e estratégia climática. Na prática, podemos apoiar sua empresa em etapas como:
- Diagnóstico da situação atual de Escopo 2 e do uso de energia no ACL;
- Revisão de contratos e certificados (RECs, I-RECs) à luz do Programa Brasileiro GHG Protocol;
- Cálculo e documentação das emissões location-based e market-based;
- Elaboração de notas técnicas e pareceres para auditorias e órgãos de governança;
- Apoio na integração da estratégia de energia renovável com metas, indicadores e comunicação ESG.
Em muitos projetos, o que fazemos é transformar a migração para o Mercado Livre – que já ocorreu por razões econômicas – em uma vantagem competitiva também do ponto de vista climático.
Conclusão
Usar o Mercado Livre de energia como ferramenta de mitigação do Escopo 2 é totalmente possível, mas exige método:
- Diagnosticar a situação atual;
- Levar Escopo 2 para a mesa de negociação;
- Garantir certificação e rastreabilidade da energia renovável;
- Verificar aderência ao GHG Protocol antes de fechar o inventário;
- Alinhar metodologia, metas e comunicação;
- Contar com apoio técnico quando necessário.
Se você quer avaliar se a sua conta do Mercado Livre está sendo plenamente aproveitada na gestão de emissões de GEE, fale com a nossa equipe.
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