
Na Livre de Carbono, divisão de mudanças climáticas da Sustentar Ambiental, temos visto um movimento crescente de empresas migrando para o Mercado Livre de energia em busca de redução de custos. Mas, para quem faz inventário de emissões de GEE, essa decisão também pode ser uma oportunidade estratégica para mitigar as emissões de Escopo 2 – desde que seja feita em conformidade com o Programa Brasileiro GHG Protocol.
Antes de avançar, um ponto importante: aqui estamos falando do Mercado Livre de energia elétrica (Ambiente de Contratação Livre – ACL), e não da plataforma de e-commerce.
No inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE), o Escopo 2 corresponde às emissões associadas à energia elétrica adquirida e consumida pela organização.
O Programa Brasileiro GHG Protocol prevê duas formas principais de calcular essas emissões:
É nessa segunda abordagem que o Mercado Livre de energia ganha protagonismo para as empresas que atendemos.
Ao migrar para o ACL, a empresa passa a ter maior liberdade para negociar:
Na teoria, isso permite reduzir as emissões contabilizadas em Escopo 2, porque a organização pode:
Na prática, o que temos observado em clientes de diferentes portes é que essa redução só é reconhecida se a contratação atender aos critérios de qualidade estabelecidos no Guia de Escopo 2 do Programa Brasileiro GHG Protocol.
O Guia de Escopo 2 do Programa Brasileiro GHG Protocol define requisitos mínimos para que contratos e certificados de energia sejam considerados válidos na abordagem market-based. Entre os pontos mais relevantes que analisamos nos projetos da Livre de Carbono estão:
Quando esses critérios não são atendidos, a mitigação pretendida tende a ser desconsiderada, e prevalece apenas a abordagem location-based, com o fator médio do sistema elétrico.
Em vários diagnósticos que fazemos, encontramos o mesmo cenário:
As causas geralmente passam por:
Sem esse alinhamento, a empresa paga por um produto com apelo de “energia limpa”, mas não consegue transformar isso em números concretos de redução no inventário.
Do ponto de vista da comunicação, expressões como “emissões zero” ou “energia 100% limpa” exigem cautela.
Mesmo quando a empresa aplica fator de emissão zero na abordagem market-based (com base em certificados válidos), o sistema elétrico como um todo continua emitindo GEE. O que muda é a forma de atribuir e contabilizar os atributos ambientais.
Por isso, nas análises e materiais que produzimos para nossos clientes, sempre recomendamos:
O Mercado Livre de energia é uma excelente oportunidade para alinhar estratégia de energia e estratégia climática. Porém, para que isso se converta em redução efetiva e defensável de emissões de Escopo 2, é fundamental seguir as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol e comprovar o atendimento aos critérios de qualidade.
No próximo post, mostramos um passo a passo prático de como usar a conta do Mercado Livre para mitigar o Escopo 2 na sua empresa.
Se você já está no Mercado Livre e quer entender se está aproveitando todo o potencial de mitigação, nossa equipe pode apoiar com um diagnóstico técnico.
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